O NOSSO ESTADO ACTUAL
O CS Marítimo é um clube histórico, com 110 anos que têm enchido de orgulho os seus sócios e adeptos.
Somos um dos clubes com mais presenças consecutivas na primeira divisão, ao longo das quais fomos construindo um palmarés que nos colocam no top 5 do futebol nacional. Como chegámos então à atual situação? Na minha opinião o que se tem passado é que tem havido pouco envolvimento corporativo ao longo dos últimos anos. Carlos Pereira gere o Clube como se fosse proprietário do mesmo, sem dar explicações sobre as suas decisões. Será que isto acontece porque está como presidente há cerca de 24 anos? Será que todos estes anos estão a adormecer todos os sócios e adeptos deste Clube histórico?
Não quero parecer injusto, nem tão pouco esquecer a importância que Carlos Pereira teve para o CS Marítimo. Desde logo, porque em 1997, altura em que assumiu a presidência, se se deparou com uma situação económica sensível e desequilibrada. Ao longo dos anos conseguiu resolver este problema, investido também no património do Clube, com resultados visíveis. Contudo, nos últimos 5 a 10 anos tem tido um conjunto de ações que, na minha opinião, nos têm levado para um rumo que não se afigura nada positivo. Tudo o que acontece no CS Marítimo tem de passar por ele. A estrutura de suporte é pouca ou nenhuma.
Em resumo, na minha opinião o CS Marítimo, na atualidade, é:
Clube de amigos:
A direção, as pessoas que frequentam a tribuna presidencial, os almoços do clube, os eventos andam todos à volta dos seus amigos. Todas as pessoas que não “encaixam” são afastadas deste tal clube de amigos.
Clube perdedor:
O clube passa de “campeão das ilhas”, como é conhecido, a jogar no “caldeirão” dos barreiros, que fervia com a massa associativa e o seu apoio à equipa, para uma equipa sem espírito guerreiro, sem esperança, apática, sem motivação, desligada da sua massa associativa. Passa de uma equipa com raízes culturais muito suas, com jogadores mais experientes ligados ao clube, que passavam a mística do sentimento e ADN maritimista para um entreposto de jogadores: entram e saem. O futebol moderno é um pouco assim mas falta planeamento nesta gestão. Tudo isto é feito sem qualquer critério, com os resultados que se conhecem.
Clube negócios:
Um Clube de negociatas. O presidente tem uma parte importante dos seus negócios direta ou indiretamente ligados ao clube. Diz à boca cheia que se chegou à frente com aval para obras do clube, mas nunca diz o que já beneficiou de transferências de jogadores (sempre encobertas, nunca vêm a público) e das várias ligações entre o Clube e as suas empresas (apartamentos e carros alugados aos jogadores, já para não falar das muitas obras que efetuou, conhecendo nós as ligações que tem nessa área).
Clube non grato:
Como se tudo o resto não fosse suficiente, o presidente é aquela pessoa que vive constantemente a criar guerras. São jogadores, são treinadores, empresários, etc. Hoje em dia já é difícil contratar treinadores que queiram treinar o clube pois sabem que é o presidente que define o plantel de uma época, quem fica na equipa A ou B, quem dá “palpites” de escalonamento do 11 inicial dos jogos, etc. O exemplo mais atual é o conflito existente com o Petit, que pôs o clube em tribunal.
É perante este cenário que se aproximam as eleições. São estes temas sobre os quais deveremos refletir. Terá Carlos Pereira a capacidade de dar volta a esta situação ou estamos na altura de escolher um novo rumo, um no presidente? Escolhendo um novo presidente, qual poderia ser o melhor nome?

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